sábado, 30 de novembro de 2019

Calmaria

Aponte
Um caminho
Que me leve
À paz.

Aposto
Que será
Algum lugar
À beira-mar.

As flores no jardim também morrem

Artesã
Do hoje,
Amanhã
Não sei
Se estarão vivas
As flores,
Ainda que fiquem
No jardim,
Ainda assim,
Até mesmo
Com todo cuidado
Também morrem
As flores,
Alguns amores.
Pois que fiquem
Com muito zelo
E carinho
Até a hora de partir...

quarta-feira, 27 de novembro de 2019

Silêncio

O não dizer
De um anúncio.
As palavras
Que nunca
Presenciei,
Que não
Presencio,
O silêncio.

Se não tivéssemos
Chegado ao fim,
Tampouco
Estaríamos no início.

Entre o procurar
E o esquivar
Houve tudo.
Mais que tudo,
O silêncio.

Todo dia é dia de nascer

Minhas escolhas,
Determinante
Futuro.
O domínio
Sobre o mundo
O mundo sobre mim,
Um dominó
Que não domino.
De domingo a domingo
Sonho acordada,
O minuto passa
Enquanto estou dormindo.
Não sei nada
Sobre a vida.
Tudo que eu disse ontem,
Tudo aquilo que você me diz
Não pode ficar para sempre
Porque tudo já mudou
E somos aprendizes.

segunda-feira, 25 de novembro de 2019

Falha da fenda

As portas
Fechadas
Abrem caminhos
Para a suposição.
As portas
Abertas
São o que são, 
Não deixam tantas brechas
Para a imaginação.
As portas,
Contraditórias
Como somos nós,
Também geram ilusão
E fazem histórias
A partir dos "nãos".

Um olhar novo, de novo

Começar do zero,
Começar com medo,
Começar tarde,
Começar cedo,
Começar
De qualquer jeito,
De algum jeito,
Dê algum jeito
De recomeçar,
De estar sujeito
A tudo,
Principalmente
Ao novo,
Porque os nossos olhos
Merecem ver
O mundo.

domingo, 24 de novembro de 2019

Pra valer

Dê-me mil degraus
E subirei,
Quase todos os passos,
Num grau de satisfação,
Com estilo
De quem paga promessa.

Não meço força
Com a dificuldade
Quando sei que vista,
Bem lá em cima,
É cansaço
E recompensa.


sábado, 23 de novembro de 2019

Questionamento

Haverá o dia
Em que a risada
Será totalmente de graça
E a piada será simplesmente
Sobre como fomos
Tantas vezes
Infelizes por sermos
Obrigados a sermos engraçados,
Num mundo desgraçado demais?



segunda-feira, 18 de novembro de 2019

Desenredo

Hei de viver
Um dia de cada vez.

Possivelmente, essa dificuldade
Não é o fim.

Pois que, se fosse o fim,
Não haveria dificuldade.

Dias de si, de não, de sim

Tem dias
Que a poesia
Não vem,
Que as ideias
Se esvaem
Feito nuvens.

Tem dias
Que sou ninguém,
Porque sou tudo,
Que vivo aquém
Da realidade,
Porque sou sonho.

Tem dias
Que, independente do que seja,
Amanhã,
Será ontem,
Nem tão depois assim
De hoje.



sábado, 16 de novembro de 2019

Uma visão em cada qual

Ninguém
Entenderá 
Inteiramente 
A sua versão 
Da história.

Quase todos dirão 
Que fostes errada,
Contraditória.

Que seja.

A visão do outro,
É do outro. 
E só sua, a visão total
Das suas vitórias,
Das suas tragédias,
Da sua trajetória.

Instantes

A paisagem
Diante de nós 
Muda, a cada instante.

Nós, ao admirá-la,
Como poderíamos 
Também não mudar?

quarta-feira, 13 de novembro de 2019

Tema central

Algumas relações
São imprescindíveis
Encerrarem-se
Com o tempo,
Como é o ponto
Na poesia.
Na hora certa, arruma-lo
Para colocares um final
E não fugires do tema central.


Distância imaterial

Todas as horas
São feitas da espera
Que outrora foram
Moras que moraram
Em nós,
Onde não conseguimos
Estar,
Por querer ficar em um outro alguém,
Em um outro lugar.

sábado, 9 de novembro de 2019

Trevo de quatro folhas

Tive que suar
Como gotas de orvalho
Para ser sua,
E não fui.

Tive que me molhar
De chuva,
Para ir embora,
Mas fui.

Para ser de alguém
Não há que se suar tantas gotas,
É mais questão de sorte.
Ou gosta ou não gosta.

sexta-feira, 8 de novembro de 2019

Incalculável

Aqui, escrevo 
Três coisas
Que não se pode mensurar: 

As reflexões que criam as águas 
A amplidão da visão de águia 
O tamanho de um amor com régua infinita.

terça-feira, 5 de novembro de 2019

Solidariedade da solidão

Servi-te
De mim
Servi-te
Das minhas
Horas
Servi-te
De choro engasgado
Quando fostes embora
Servi-te
De serva
Serviu para
Ver o quanto
Ficar sem você
Me melhora.

domingo, 3 de novembro de 2019

Rota das gaivotas

À semelhança do vento
Que embarcam as gaivotas,
A mudança nos guia
Por determinadas rotas
Que não há como pestanejar
Ou ir contra...
O importante é abrir as asas
E se deixar levar,
Para poupar energia
E ir mais longe.

Às vezes,
Mais do que a chegada,
Admirar a paisagem
É o que conta.


sexta-feira, 1 de novembro de 2019

Precipitações

De primeiro
Em primeiro,
Um outro olhar
Reclinado
Em meu ombro.

Uma chuva, lá fora,
De deslumbre
Em deslumbre,

Sinto saudade de ontem,
Do tempo ocorrido,
Não tão antes
Deste inverno úmido
Em novembro.

Os olhos não mentem

Para
Você 
Nós 
Somos
Uma ideia
Medonha. 

Mas suponho,
Pelo seu olhar,
Que você
Também sonha 
Com a gente,
Quase todo dia. 

Ser luz quando a gente se conduz