domingo, 13 de outubro de 2024

Cômodos enganos

No fundo, o fim

Do mundo não será o fim de tudo.

Será, sim, o fim do humano,

Das matas

E de outros seres inocentes,

Que não tiveram culpa de dividir

A sala de estar da terra

Com quem usou-a

Como salão de festas.





terça-feira, 1 de outubro de 2024

Guerra

Eu queria escrever uma poesia
Que pudesse explicar tudo,
Desde a hora
Em que nasci
Até agora.
E que pudesse explicar
O que sinto quando em mim
Não cabe a vida toda.
Quando sinto tanta alegria que dá vontade de gritar,
Mas eu não grito, porque as pessoas
Vão me chamar de doida.
Então eu também não sei explicar como me revolta
Querer falar algo e não conseguir,
Quando não são justos conosco,
Quando estão tentando nos eliminar.
Queria poder explicar a minha revolta,
Porque não pode, não pode,
Uma chefe ser amiga de funcionários para lhes darem vantagens em detrimento de outros.
Não pode um ser mais privilegiado que outro, 
Não cabe e é assim que é,
Como pode? 
Eu queria poder juntar uma comissão,
Criar um grupo de pessoas justas para lutar contra pessoas injustas,
Pessoas juntas contra as injustas,
Juntas contra as injustas.
E contra pessoas maldosas,
Contra pessoas idiotas,
Contra pessoas que são inconvenientes.
Queria ir para uma guerra para matar alguns,
Mas essa guerra é invisível,
Talvez inviável,
Eu só quero dizer
Que eu vou.

Ser luz quando a gente se conduz