segunda-feira, 14 de novembro de 2022

Poesia perdida lá em 2016

 Acabei perdendo a conta 

Não sei mais quantas vezes me coloquei em apuros

Estou certa de que uma vez que matei os monstros que vivem no escuro

Imagino que esquecer você não vai ser assim tão duro

Uma hora o tempo prescreve 

Além disso, há coisas que só se sente, não se escreve


Juntar tudo em uma carta

Usar e abusar das palavras

Dizer que ando um tanto quanto farta

Não vai suprir a sua falta 

A conclusão que chego é que esse caso não cabe mais estar em pauta

quinta-feira, 3 de novembro de 2022

Decurso despercebido

Nunca pensei muito
Sobre o processo das coisas.
Sempre me atentei mais 
À produção das coisas.
Frequentemente alcanço um objetivo
Sem perceber muito bem que houve
Um procedimento, uma maneira, uma técnica, um sistema, um exercício
Até o final
E quando me assusto,
Principalmente em atribuições mais árduas,
Pronto, já está feito,
A despeito de todos os impasses e problemas,
Das regras do jogo e das dúvidas,
O aperto, o apuro, aquilo tudo que dizem
Passa meio despercebido por mim
E quando vê, já foi...
Que louco, já está feito.

Talvez não seja má negócio, na vida,
De vez em quando,
Andar meio absorto,
Meio distraído.


quarta-feira, 2 de novembro de 2022

Dia de fome

Passei o dia sem comer.

No início, logo de manhã, antes do sol aparecer,

Quando estava sem fome e bamba de sono, preferi ficar sentada debaixo da coberta, esperando dar a hora de sair, em vez de arrumar o lanche.

E o pensamento disparava feito mãe: na hora que a fome bater, vai se arrepender.

Depois, já na hora do almoço, 

Quando a fome bateu,

Fui atrás da comida.

Subi no ônibus no intervalo do serviço,

Fui em direção à minha casa,

Numa viagem de vinte minutos,

Num temporal danado,

Numa vontade de tomar café com pão e manteiga,

Saí do ônibus, corri para a casa,

A chuva já tinha me pegado três vezes, só naquele dia,

E do ônibus até lá, foi apenas uma chuva a mais, eu sabia que teriam outras durante o dia.

Cheguei em casa, não havia chave no bolso.

Procurei em todos, indignada, não estava em nenhum lugar. 

Fui à casa ao lado, a dona do imóvel que alugo atendeu,

Perguntei se tinha uma chave reserva para a minha porta,

Ela pediu que eu entrasse em sua casa, disse que tinha, em algum lugar.

Procurou, procurou, procurou,

Subiu, desceu escada, a pobre da velhinha,

Se demorou, se desculpou, disse que não estava encontrando,

Perguntou se eu queria me sentar para tomar uma xícara de chá para passar o frio, já que eu estava molhada,

Eu agradeci, disse que não precisava se preocupar, voltaria para o trabalho, já estava quase na hora.

Mais vinte minutos de viagem,

O estômago ainda vazio, fazendo um buraco em mim. 

A fome é isso, um vazio,

Quando a gente procura,

Quando a gente se esforça,

Quando a gente realmente tenta

E nada chega,

Além de temporal.

Ser luz quando a gente se conduz