sexta-feira, 25 de fevereiro de 2022

Vácuo

Das outras vezes

Eu me sentava,

Deixava o tempo passar

Até o anúncio do fim,

Proferido por mim.

Dessa vez,

Também me sento,

Também espero o tempo passar,

O fim, todavia, não foi anunciado por mim,

Foi, antes de tudo, anunciado,

Silenciosamente, 

Pelo vento,

Pelo ar,

Pelo espaço,

Eu gosto de dizer

Pelo vazio

Ou

Pela total falta

De presença.

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2022

O que é a guerra

A explosão da guerra

Dá um nó na garganta,

Um vazio no peito,

Um mal-estar incurável,

Um vômito preso que nunca sairá,

Um grito emudecido,

Porque na guerra não há,

Não existe,

Na guerra,

Nunca existirá,

A possibilidade de paz.

Se se luta na guerra,

Não há paz.

Se não se luta na guerra,

Não há paz.


sábado, 19 de fevereiro de 2022

Não a pedirei em namoro,

Não a pedirei em casamento,

Não vou falar dos meus sentimentos,

Aliás, não criarei sentimentos,

Para que não haja sofrimento,

Para que eu possa me manter

No distanciamento saudável,

Para que eu não me sufoque com a saudade,

Para que eu não me sabote,

Para que eu não me assalte,

Não a colocarei do lado de dentro,

Apenas entre as palmas da minha mão.

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2022

Literalmente, nas estrelinhas

Eu não quero ser tudo para você.

Eu só quero ser um pouco

Do todo que te transporta para o lugar que você deita

E se sente segura. 

Eu só quero que você me abrace e segure a minha mão,

Quando não há nem ar entre nós,

Quando a gente se transforma em pele,

Quando, pelo nosso corpo, a gente torna-se alma. 

Quando o coração dispara, mas estamos completamente calmas,

À vontade, palma com palma.

Eu só quero um pouco,

Talvez, um pouco mais:

Que você seja minha, não o tempo todo,

Mas em sua maioria,

E quando você for minha

Que você queira muito:

Literalmente, nas entrelinhas.


domingo, 13 de fevereiro de 2022

Alguém tinha que ser o culpado,
Não seria possível compreender
O meu jeito de ser sem achar o culpado

Pelas minhas tragédias corriqueiras,
Pelo meu comportamento traiçoeiro.

E então apontei o culpado em minha frente,
Talvez por estar próximo,
Talvez por ser fácil, conveniente.

Alguém que sempre me amou incansavelmente,
Alguém que sempre se doa a mim,
Independente da dor que eu causo.

Como tudo na vida é fase e descobertas,
Depois que apontei o culpado
Por ser eu do jeito que sou,
Vi que não havia saída
A não ser tomar a responsabilidade por mim mesma.

Depois que a resposta está dada,
Depois que desvenda-se o mistério,
Não há como não orientar-se a partir do fato novo.
Não há como não agir diante da verdade,
Não há como não andar pelo caminho conseguinte.
Não há como pular o futuro.

É então que surge o fio da meada:
Não há mais como correr de si mesmo,
Não há como fugir da responsabilidade de se fazer algo com aquilo que nos é dado.
Mesmo depois que aponta-se um culpado,
Mesmo quando joga-se a culpa no outro,
Não há escapatória de si mesmo.

Nunca há escapatória de si mesmo.


segunda-feira, 7 de fevereiro de 2022

Para lembrar no futuro

A poesia chegará outra hora.
Ultimamente
Quero ser
Menos
Escritora da minha poesia,
Mais
Personagem da minha poesia.

Ser luz quando a gente se conduz