Uma noite a menos de sono,
A mais de si mesma,
Tentando desatar nós,
Forçando a barra do sonho
Para encontrá-la.
Ruminando monstros
Arruinando-se.
Estando tão só
Que dá dó de estar ali.
E tem quem queira estar.
Entrelinhas perdidas possuem lugar quando partilhadas. Textos e poesias de autoria de Lívia Gallo. Instagram: @versariarse, @lviag
quarta-feira, 27 de fevereiro de 2019
terça-feira, 26 de fevereiro de 2019
Personalidade
Essa coisa de envelhecer
Eu não tenho certeza...
Não sei se a fragilidade
Torna-se menor com a idade,
Não sei se ficar madura
Torna a gente mais dura...
Eu sei que eu tenho ficado
Um pouco mais boba,
Um pouco mais na moda
De vestir o que quero, por dentro e por fora.
As pessoas deveriam ensinar, logo na infância,
Quanto sangue derrama-se antes mesmo da vingança,
Que acordar traz esperança
E que a vida é todinha mudança.
Eu não tenho certeza...
Não sei se a fragilidade
Torna-se menor com a idade,
Não sei se ficar madura
Torna a gente mais dura...
Eu sei que eu tenho ficado
Um pouco mais boba,
Um pouco mais na moda
De vestir o que quero, por dentro e por fora.
As pessoas deveriam ensinar, logo na infância,
Quanto sangue derrama-se antes mesmo da vingança,
Que acordar traz esperança
E que a vida é todinha mudança.
Madrugada sem festa
Tenho tido esse estranho sonho
De estar com você no jardim suspenso
Feito de lençol e de escuro
Tendo apenas o suspense
Do nosso abraço e toque proibidos.
Tenho tido esse estranho sonho
E, estando acordada, chega a ser medonho
Fazer-te sonhar também.
Tenho tido a dúvida,
Até quando você permanecerá envolvida?
Até quando dura a sua dívida?
Algum dia você será minha?
Por quanto tempo duas vidas ficam juntas sem serem divididas?
É, pelo menos, já cicatrizamos uma das feridas.
De estar com você no jardim suspenso
Feito de lençol e de escuro
Tendo apenas o suspense
Do nosso abraço e toque proibidos.
Tenho tido esse estranho sonho
E, estando acordada, chega a ser medonho
Fazer-te sonhar também.
Tenho tido a dúvida,
Até quando você permanecerá envolvida?
Até quando dura a sua dívida?
Algum dia você será minha?
Por quanto tempo duas vidas ficam juntas sem serem divididas?
É, pelo menos, já cicatrizamos uma das feridas.
segunda-feira, 25 de fevereiro de 2019
Saudade de morar com você
Cantei todas as músicas
Peguei no sono e ali estava você,
Mais uma vez.
Quanta saudade mora em mim,
Eu não sei,
Nunca pensei que eu fosse tão grande...
Cantei todas as músicas,
Reguei até o canteiro de flor.
É... confesso,
Eu queria mesmo é estar com você
Em todos os lugares em que você for.
Peguei no sono e ali estava você,
Mais uma vez.
Quanta saudade mora em mim,
Eu não sei,
Nunca pensei que eu fosse tão grande...
Cantei todas as músicas,
Reguei até o canteiro de flor.
É... confesso,
Eu queria mesmo é estar com você
Em todos os lugares em que você for.
quinta-feira, 21 de fevereiro de 2019
quarta-feira, 20 de fevereiro de 2019
Pena do pobre humano
De um jeito ou de outro
Quem anda pela vida
A mercê do ouro
Anda também a pedir socorro.
Quem anda pela vida
A mercê do ouro
Anda também a pedir socorro.
Não cante a vida aos soldados
Chateou-se
Repentinamente
Diante da ideia contrária.
Mas como poderia esperar coisa diversa?
Como poderia pedir compreensão,
Se até mesmo quando o seu poema mais inteligível
Foi lido
Não foi captado nem entendido?
Repentinamente
Diante da ideia contrária.
Mas como poderia esperar coisa diversa?
Como poderia pedir compreensão,
Se até mesmo quando o seu poema mais inteligível
Foi lido
Não foi captado nem entendido?
terça-feira, 19 de fevereiro de 2019
Junção
Sim,
O amor une.
As pessoas convivem
Por amor.
As pessoas
Se acostumam.
As pessoas
Combinam o trato
Do amor.
As pessoas costumam
Perder-se
No ato de amar.
As pessoas
Se esquecem
Do hábito de amar.
O amor une.
As pessoas convivem
Por amor.
As pessoas
Se acostumam.
As pessoas
Combinam o trato
Do amor.
As pessoas costumam
Perder-se
No ato de amar.
As pessoas
Se esquecem
Do hábito de amar.
Quando falo do invisível
São tão falhas
As palavras
Que, quando falo de amor,
Não me livram
Das migalhas
Que oferto a você.
As palavras
Que, quando falo de amor,
Não me livram
Das migalhas
Que oferto a você.
Voar
Onde vivo
Vivem
Os pássaros
A favor da natureza
Tendo sementes de paineira no café da manhã.
No meu interior,
Modesto,
Também ando comendo grãos,
Com apreciável obediência,
Sinto a flor,
Observo o rosa em alto relevo...
O amanhecer é uma escola.
A direção ao azul é uma escolha,
Eu também escolhi voar.
Vivem
Os pássaros
A favor da natureza
Tendo sementes de paineira no café da manhã.
No meu interior,
Modesto,
Também ando comendo grãos,
Com apreciável obediência,
Sinto a flor,
Observo o rosa em alto relevo...
O amanhecer é uma escola.
A direção ao azul é uma escolha,
Eu também escolhi voar.
terça-feira, 12 de fevereiro de 2019
Gueixa
Espelha-se
Em ser aquela gueixa
Em sofrer as paralisias
Da vida metódica
Ordenada por nenhuma melodia, por nenhuma flor,
Meio oca, meio vazia.
Espelha-se
Em ser aquela que não se queixa
Em sofrer as paralisias
Da vida metódica
Ordenada por nenhuma discórdia, por nenhum amor,
Muito pouca, sem poesia.
Para você ficar
De certa forma,
Foi dito ao universo
E espero, bem no íntimo,
Que você receba o recado.
Tirei-lhe das minhas noites e dias
Para que você permaneça,
Sem mágoas, no meu próximo Natal.
Foi dito ao universo
E espero, bem no íntimo,
Que você receba o recado.
Tirei-lhe das minhas noites e dias
Para que você permaneça,
Sem mágoas, no meu próximo Natal.
segunda-feira, 11 de fevereiro de 2019
Nota ao interior
Tolice,
Crer que a ideia
Permanecerá intacta
Sendo variada gradação do cosmo.
Tolice,
Crer que o sentimento
Sobreviverá sólido
Sendo eu cacto repleto de espinhos.
Tolice,
Acreditar na glória
Fantasiada pelo sistema
Sendo a vida, primordialmente, essência.
Crer que a ideia
Permanecerá intacta
Sendo variada gradação do cosmo.
Tolice,
Crer que o sentimento
Sobreviverá sólido
Sendo eu cacto repleto de espinhos.
Tolice,
Acreditar na glória
Fantasiada pelo sistema
Sendo a vida, primordialmente, essência.
A cama é altar para absurdos
Amaria-te
Daqui até a eternidade
Mas o sono vem,
O tempo me invade,
A música torna-se velha,
Meu pensamento me bate.
O que resta de mim, no fim do dia,
Além do agradecimento e da ignorância,
É a idade arcaica do solitário.
E amar-te
Até a eternidade
É ideia que quase não fica, mas ainda fica, bem no fundo, porque criei-a por você.
Daqui até a eternidade
Mas o sono vem,
O tempo me invade,
A música torna-se velha,
Meu pensamento me bate.
O que resta de mim, no fim do dia,
Além do agradecimento e da ignorância,
É a idade arcaica do solitário.
E amar-te
Até a eternidade
É ideia que quase não fica, mas ainda fica, bem no fundo, porque criei-a por você.
Rascunho para o universo
Gentil e cortês
É isso que sou.
Poderia eu falar-te
Em tantos tons
Em infinitos níveis
Sobre o meu peito em chamas
E da minha mente excêntrica
Roteirizando nosso Carnaval em casa
Com fogueira e estrelas
Com a banda das cigarras.
Comigo tão mudada
Sem cerveja e sem cigarros
E, de manhã, com a certeza dos pássaros.
Poderia falar-te sobre a enchente
Que nunca sai nos noticiários,
Mas que arrasa com muita coisa
Que destrói a maior riqueza da vida,
Porque está aqui dentro de mim.
Agora, em sério
Fui tão sacana com outras
Que entendo o castigo de Deus.
Tenho me esforçado para melhorar.
E gostaria de saber,
Onde está a punição
De quem nunca ousou mudar?
sexta-feira, 8 de fevereiro de 2019
Crime hediondo
Por favor,
Saia da minha vida,
Como fazia antes.
Pois eu,
Sem palavras
Ou com elas,
Não consigo
Pedir-lhe que vá.
E ficar significa
Matar-me,
Silenciosa e demoradamente.
Por favor,
Não torne-se uma assassina,
Cruel e confessa,
De mim...
Por favor, você não é assim.
Saia da minha vida,
Como fazia antes.
Pois eu,
Sem palavras
Ou com elas,
Não consigo
Pedir-lhe que vá.
E ficar significa
Matar-me,
Silenciosa e demoradamente.
Por favor,
Não torne-se uma assassina,
Cruel e confessa,
De mim...
Por favor, você não é assim.
terça-feira, 5 de fevereiro de 2019
Aversão contínua
Tomada pela raiva
Pedi a maldade
Quando a noite chegou.
Veio o dia
Repleto de piedade
Serviu-me de cobaia,
Me usou.
Eu que sou tola
Eu que sou fraca na doença
Sou também amante da armadilha da descrença.
Me lanço tão fundo na agonia
Que a dor de um ano
Passa em um dia.
A ira de você
Vem em tão grande dilúvio
Que sendo você assim tão vil,
Tão fútil,
Me presenteia com imenso alívio,
Por eu não sentir culpa
Por sentir-lhe tanto repúdio.
Pedi a maldade
Quando a noite chegou.
Veio o dia
Repleto de piedade
Serviu-me de cobaia,
Me usou.
Eu que sou tola
Eu que sou fraca na doença
Sou também amante da armadilha da descrença.
Me lanço tão fundo na agonia
Que a dor de um ano
Passa em um dia.
A ira de você
Vem em tão grande dilúvio
Que sendo você assim tão vil,
Tão fútil,
Me presenteia com imenso alívio,
Por eu não sentir culpa
Por sentir-lhe tanto repúdio.
Primeiro combate
Obrigaram-nos à felicidade.
Exigência árdua a quem segue ditames.
Primeiro, os homens perderam a bondade.
Depois, perderam o autogoverno, o livre-arbítrio.
E, então, escapuliu o discernimento.
Agora, a maioria marcha no escuro.
Encoberta por sua própria venda,
Turvada do que é acessível, claro.
Tão curvada...
Chega a dar pena...
Que lástima,
Olhar apenas para os próprios pés.
Também eu, às vezes, tenho olhado.
Tantos perambulam esquecidos do mundo.
Muitos divagam contaminados pelo relógio, pensando apenas no futuro.
E se esquecem do tempo importante, oportuno.
Esse agora, esse presente.
"É hora!", enunciam os deuses cósmicos.
Do cair do temporal, do sol de rachar
Da flor que morre e cresce em temporadas.
Obrigaram-nos demasiadamente à felicidade.
Hoje, suspeito que quem é feliz
Arrisca-se
A não entreter-se no jogo mundano.
A não cumprir as regras.
Eu retiro-me.
Essa brincadeira de mau gosto,
Eu chamo de guerra.
Exigência árdua a quem segue ditames.
Primeiro, os homens perderam a bondade.
Depois, perderam o autogoverno, o livre-arbítrio.
E, então, escapuliu o discernimento.
Agora, a maioria marcha no escuro.
Encoberta por sua própria venda,
Turvada do que é acessível, claro.
Tão curvada...
Chega a dar pena...
Que lástima,
Olhar apenas para os próprios pés.
Também eu, às vezes, tenho olhado.
Tantos perambulam esquecidos do mundo.
Muitos divagam contaminados pelo relógio, pensando apenas no futuro.
E se esquecem do tempo importante, oportuno.
Esse agora, esse presente.
"É hora!", enunciam os deuses cósmicos.
Do cair do temporal, do sol de rachar
Da flor que morre e cresce em temporadas.
Obrigaram-nos demasiadamente à felicidade.
Hoje, suspeito que quem é feliz
Arrisca-se
A não entreter-se no jogo mundano.
A não cumprir as regras.
Eu retiro-me.
Essa brincadeira de mau gosto,
Eu chamo de guerra.
segunda-feira, 4 de fevereiro de 2019
Para dizer o poema
O poema não necessita de muito
Para dizer
O poema
Basta ter intuito
Basta ser inteiro
Basta arder.
Para dizer
O poema
Basta ter intuito
Basta ser inteiro
Basta arder.
Milagre
Pulsa o peito.
Milagrosamente,
Aceito o afeto.
Que festa é
Sentir-me repleta
De alguém
Às vezes sim,
Às vezes não,
Cordialmente meu.
Lapidado em forma
Impecável.
Para sujeitar-se
A mim,
Sujeito tão
Malfeito.
Milagrosamente,
Aceito o afeto.
Que festa é
Sentir-me repleta
De alguém
Às vezes sim,
Às vezes não,
Cordialmente meu.
Lapidado em forma
Impecável.
Para sujeitar-se
A mim,
Sujeito tão
Malfeito.
Declaração de amor próprio
Falo sério.
Estou tentando cuidar
Verdadeiramente
De você,
Ao cuidar, com muito carinho,
De mim.
Mas a cura vem
Pouco a pouco
De forma arrastada.
Tenho a alegria de falar sem ter a voz rouca
Sem ter a cabeça louca de tantos tragos
Sem ter, eu mesma, me causado tantos estragos.
Estou tentando cuidar
Verdadeiramente
De você,
Ao cuidar, com muito carinho,
De mim.
Mas a cura vem
Pouco a pouco
De forma arrastada.
Tenho a alegria de falar sem ter a voz rouca
Sem ter a cabeça louca de tantos tragos
Sem ter, eu mesma, me causado tantos estragos.
domingo, 3 de fevereiro de 2019
Vida ficcional
Vale menos
O dinheiro que sana
A dívida
Que o amor escrachado
Que repara
A dúvida,
Prêmio da película romântica
Vívida e poética
Vivida pela majestade e pela criada,
Errônea e imutávelmente.
O dinheiro que sana
A dívida
Que o amor escrachado
Que repara
A dúvida,
Prêmio da película romântica
Vívida e poética
Vivida pela majestade e pela criada,
Errônea e imutávelmente.
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