terça-feira, 26 de janeiro de 2021

Transformações naturais

Há uma enorme chance
De eu não gostar de você,
Amanhã. 

Portanto, por qual razão
Você não aproveita
O hoje?

O distinto é que faz a diferença

A autenticidade 
Faz mal à vista
Do comum, do igual, do que é cópia.

O distinto, o ímpar, o desigual
Será sempre estranho, feio, oposto, 
Inimigo,

Numa luta onde só um luta,
O diferente, ainda assim, não sairá ileso,
Mas sendo ele o peso nas costas do comum,
Os passos tornam-se mais leves e longínquos.

Caminhar sendo quem se quer,
Não o que querem que sejas
E receber a preciosa atenção do banal
É a maior prova de que o mundo
Precisa daquilo que é legítimo.



segunda-feira, 25 de janeiro de 2021

Os olhos é que sabem

Me estremece inteira,

Sua mão 

Sobre a minha mão.

Não mais

Do que seus olhos 

Sobre os meus olhos,

Ainda que à distância.

As mãos tiram as roupas,

Os olhos desnudam a alma.

Estrada da sorte

O amor será uma via de mão única.

Do outro lado, no entanto,
Estarão passando outras mentes,
Outras sonhos,
Outras mãos.

Se encontrar, por acaso,
Em algum cruzamento,
Alguém que toque o seu coração
E a sorte colocar-lhes na mesma direção,
Então, o amor poderá ser, por fim,
Uma via de mão única
Sendo trilhada
De mãos dadas.

domingo, 24 de janeiro de 2021

Engano sobre a arte

Querer achar respostas prontas,

Onde não há:

O erro da poesia.


Como culpá-la, todavia,

Por não ser refém 

De ideias prontas, 

Obedientes, impostas?


As pessoas não gostam de poesia

Porque ela não é resposta,

É proposta,


Mas ninguém quer pensar.

sábado, 16 de janeiro de 2021

Luto por quem se foi

Os planos mudam.

Falamos da morte

Como que tentando transformá-la 

Em algo menos doído,

Menos estranho,

Menos árduo.

Em verdade, as palavras não nos salvam

Da dor que arde por dentro,

Quando quem está do lado

Vai embora.

sexta-feira, 15 de janeiro de 2021

Detalhe fatal

Fazer do que a vida fez 
Uma arte.
Do interior em pedaços,
Parte inteira.

Apesar do esforço,
A dissolução é mesmo
Questão de tempo.

Partindo do princípio 
De que, após o início,
Tudo se encaminha
Para um final,
A felicidade e a tristeza,
O bem e o mal,
São os mínimos detalhes que mudam
O contexto geral.


Apropriadas necessidades

Engana-se ao pensar
Que ausentando-se da minha vida
Causaria-me danos irreparáveis.

Não se preocupe.
Em suma,
Para além de apropriada,
Seu sumiço remediável
Coube perfeitamente bem
Como prova de amor,
Mesmo não sendo.

Diálogo com os astros

A olhar para cima,
Numa conversa íntima
Com as estrelas:

Não se esqueça,
As horas vividas, como foram,
Não foram perdidas.

Se pudesse ter sido de outro jeito,
Seria.

Com o tempo e com os passos,
Muitas coisas ficam pelo espaço,
Mas você terá de carregar você mesma,
Para sempre.

Seja como for,
Vá indo com carinho,
Com amor.


quinta-feira, 14 de janeiro de 2021

Pela ótica poética

Por ser tão raro

Sentir-me como parte,

Pertencente,

Retratada na arte,

Tive de ser

Eu mesma

Uma inspiração

Para os meus poemas.


Mas musa, não, 

Jamais serei.

Para esse papel

Só há lugar para você.



terça-feira, 12 de janeiro de 2021

Inclusão do resto

Na vida
Não há poesia a toda hora,
Todos os dias...

Existem apenas alguns pequenos instantes
De êxtase,
Raros momentos de poesia, 
Em que constatamos que todo o resto
Que não presta
Também 

É poesia.

Análise do todo

A vida tem que ser isso,

Esse drama nos arrebentando por dentro,
Essa trama nos arrebatando por fora,
Esses laços nos amarrando por acaso,
Esses traços nos cortando, por fim,

É tudo por amor.


sábado, 9 de janeiro de 2021

A saber...

Não foram os dias

Sem você 

Que me fizeram desistir...


Foram os dias

Só, com você,

Que me fizeram ir.

quinta-feira, 7 de janeiro de 2021

segunda-feira, 4 de janeiro de 2021

Apuração

Então, você nota?
Tudo na vida é número.

O dia do nascimento,
A hora da partida,
O brotar da flor,
A finança do fim do mês,
O rotação da terra,
Os ciclos da lua,
O novo que, reiterada vezes,
Torna-se cansativo.

As fases de nós,
A última vez que fomos felizes.

Então, você nota?
Mais do que os números:

Como sucederam-se os números.

Ser luz quando a gente se conduz