Sabe como é,
Me colocaram aqui.
Eu não pedi pra vir,
Mas já que me enviaram,
Fazer o quê,
De um jeito meio torto,
De um jeito ou de outro,
Tô dando melhor de mim.
Entrelinhas perdidas possuem lugar quando partilhadas. Textos e poesias de autoria de Lívia Gallo. Instagram: @versariarse, @lviag
domingo, 21 de junho de 2020
Momentos
Aos 20 e poucos
Eu queria sair de casa,
Consumir a vida,
Sumir no mundo,
Rodar de carro
Por toda a cidade,
Como numa corrida.
Agora que a mocidade
Ficou lá atrás,
Escondida
Em algum canto da cidade,
Eu só quero fugir
Para a uma realidade
Que tenha cheiro de capim
E de humildade.
sábado, 20 de junho de 2020
sexta-feira, 19 de junho de 2020
Abençoado
Ano passado,
Dos quatro gatos
Do muro
Só sobrou o menor,
Que não conseguia acompanhar
Os outros.
Ele foi o único que não tomou
O veneno jogado
Pelo morador do lado.
Hoje, o gato está grande,
Peludo, seguro de si,
Fez amizade com outros
Gatos do mundo.
Não acompanhar
O que todos os outros fazem
É uma benção.
Dos quatro gatos
Do muro
Só sobrou o menor,
Que não conseguia acompanhar
Os outros.
Ele foi o único que não tomou
O veneno jogado
Pelo morador do lado.
Hoje, o gato está grande,
Peludo, seguro de si,
Fez amizade com outros
Gatos do mundo.
Não acompanhar
O que todos os outros fazem
É uma benção.
terça-feira, 16 de junho de 2020
Nuvem carregada
Pode ser
O choro do mundo.
Pode ser
O banho das flores.
Pode ser
O suor pelo calor.
Pode ser
O fim do encontro marcado.
Pode ser
Um início meio molhado.
Deu na TV,
Que amanhã vai chover...
O choro do mundo.
Pode ser
O banho das flores.
Pode ser
O suor pelo calor.
Pode ser
O fim do encontro marcado.
Pode ser
Um início meio molhado.
Deu na TV,
Que amanhã vai chover...
Previsão
Valha me Deus,
Não posso dizer
Sobre amanhã.
E pouco
Me lembro de ontem.
Saber do agora
Também não posso,
Porque já passou.
E o que vai vir,
Eu já disse,
Eu não sei...
Não posso dizer
Sobre amanhã.
E pouco
Me lembro de ontem.
Saber do agora
Também não posso,
Porque já passou.
E o que vai vir,
Eu já disse,
Eu não sei...
domingo, 14 de junho de 2020
sexta-feira, 5 de junho de 2020
Natureza como exemplo
Nasceu tenra,
Viçosa,
Fresca,
Nasceu
Aparentando
Fraqueza.
Vulnerável,
Com toda a beleza,
Veio com a força suficiente
De tudo que vem
Do fundo da terra.
Viçosa,
Fresca,
Nasceu
Aparentando
Fraqueza.
Vulnerável,
Com toda a beleza,
Veio com a força suficiente
De tudo que vem
Do fundo da terra.
quinta-feira, 4 de junho de 2020
Conversa com Deus
Estou te escrevendo,
Deus, para perguntar,
Falta muito
Para chegar a hora?
Às vezes penso que já deu,
Acho que todo mundo
Já entendeu o recado.
Ainda falta muito
Para pagarmos
Todos os pecados?
Acho que já estamos
Suficientemente
Tristes e machucados...
Deus, para perguntar,
Falta muito
Para chegar a hora?
Às vezes penso que já deu,
Acho que todo mundo
Já entendeu o recado.
Ainda falta muito
Para pagarmos
Todos os pecados?
Acho que já estamos
Suficientemente
Tristes e machucados...
quarta-feira, 3 de junho de 2020
Imitação
É preciso parar
É preciso pensar
É preciso parar para pensar
Que há um paradoxo
Na repetição das palavras.
Porque a imitação
É o plágio
Não renovador.
É o remendo
Da enorme corda
Que vai arrebentar.
O que é dito, redito,
Reiterado, tantas vezes,
Obviamente, gera efeito.
É preciso entender
Que as palavras repetidas
Podem ser uma luva
Disfarçada de garra.
Uma mão que nos acaricia
Quando a gente precisa
De uma mão que belisca.
É preciso pensar
É preciso parar para pensar
Que há um paradoxo
Na repetição das palavras.
Porque a imitação
É o plágio
Não renovador.
É o remendo
Da enorme corda
Que vai arrebentar.
O que é dito, redito,
Reiterado, tantas vezes,
Obviamente, gera efeito.
É preciso entender
Que as palavras repetidas
Podem ser uma luva
Disfarçada de garra.
Uma mão que nos acaricia
Quando a gente precisa
De uma mão que belisca.
terça-feira, 2 de junho de 2020
Personagem principal
Sempre
Senti
Que não pertecia
Aqui, ali.
Onde estava eu
Quando criaram
Os livros?
Os filmes?
As músicas?
Onde estava eu
Quando criaram
O mundo?
O sucesso?
A felicidade?
Estava eu no fundo do poço?
No canto do quarto,
Como todos os dias?
Por onde andava
A minha alma?
A minha fala?
As minhas paixões escondidas?
Ser minoria não é ser
Menor,
Mas é sentir-se
Menor,
O que, no fim, dá na mesma.
É claro, irão ditar o ritmo,
O tom da raiva.
Porque minoria foi feita
Para calar,
Para controlar,
Para ser julgada,
Para desencorajar.
Quando a minoria vê,
A injustiça é tão grande,
A história é tão longa,
Que nem se queimar o mundo todo...
Eu me pergunto,
Aonde estou no mundo?
Será que isso é tudo?
Então creio que ficarei
Mais um dia escondida.
Tantas vezes sinto que não vivo,
Apenas existo.
É que no mundo deles
Não há espaço para nós.
Rezo para chegar o dia
Eu me pergunto,
Aonde estou no mundo?
Será que isso é tudo?
Então creio que ficarei
Mais um dia escondida.
Tantas vezes sinto que não vivo,
Apenas existo.
É que no mundo deles
Não há espaço para nós.
Rezo para chegar o dia
Em que eu possa me ver,
Sem dó, sem pena,
Na arte,
Nas notícias,
Sem peso,
Com dádiva.
Rezo para que meu amigo possa se ver,
Se reconhecer.
E a gente possa se amar sem medo.
Sem dó, sem pena,
Na arte,
Nas notícias,
Sem peso,
Com dádiva.
Rezo para que meu amigo possa se ver,
Se reconhecer.
E a gente possa se amar sem medo.
Rezo para que a gente possa ver,
Finalmente,
Aonde a "gente menor" estava,
Com tanta admiração,
Mas tanta admiração,
Com tanta admiração,
Mas tanta admiração,
Que a gente não corra o risco de sumir
Nunca mais.
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