Sempre existiu este imã
Que me conduziu
Aos meninos do samba,
À galera da cerveja gelada no bar da esquina,
À toda gente de papos profundos sobre o mundo,
À rapaziada que se entrega à loucura
Porque está sempre na fulga de ser dominada, sufocada, retraída.
Foi assim que me criei, debaixo do riso livre,
Entre as música feitas com teor, miolo, conteúdo.
Foi assim, diante da poesia declamada por indivíduos
Que escolhi meus amigos
E eles me acolheram com amor infinito.
Foi assim, diante de situações espontâneas, puras, verdadeiras
Que separei o joio do trigo.
Foi assim que me fiz humana,
Quando censura nenhuma
Conteve a mim e aos meus meninos.
Hoje, eu olho para trás e vejo como foi lindo.
Eu ainda continuo indo, com este jeito intenso,
Sendo bicho do mato, distante, arredio,
Nunca sozinho,
Com os amigos que levo comigo.
Sempre existiu este imã
Que me conduziu à disposição
Das pessoas que tem o dom de ser mais do que pessoas,
Alguma coisa sobrenatural, meio divina:
Inspiração.