Entrelinhas perdidas possuem lugar quando partilhadas. Textos e poesias de autoria de Lívia Gallo. Instagram: @versariarse, @lviag
domingo, 31 de outubro de 2021
A porta está aberta
sábado, 23 de outubro de 2021
Humanos únicos
O jeito que fazemos
Todas as coisas
É o jeito
Que nos ensinaram a fazer
Todas as coisas.
Às vezes,
É preciso
Discernimento suficiente
Para ensinar ao mundo
O nosso jeito único
De fazer todas as coisas
E então gozar de ser quem somos,
Não do que quiseram que fossemos,
E então a gente não some no meio dos outros,
E então a gente vem pra somar.
domingo, 17 de outubro de 2021
Impugnação
É aí, neste ponto, que me pego pensando
Que ainda vou errar tantas vezes,
E, dessas tantas vezes,
Em todas elas eu terei que me perdoar,
Mais tantas e tantas vezes,
A única saída é me perdoar.
E é aí que eu me pego pensando
Que se erro comigo, se cobro tanto de mim,
Como não errar com as outras pessoas?
O grande ponto, no entanto, que faz toda a diferença
É que eu sou obrigada a me perdoar,
As outras pessoas não são.
sábado, 16 de outubro de 2021
Fronteiriça
De olhar em olhar,
De boca em boca
A descobrir que as pessoas
São mesmo muito maldosas.
Não sei se isso tirou ou adicionou
Um peso enorme nas minhas costas,
Pois eu bem sinto,
Em grande parte do tempo, que sou
Involuntariamente estranha.
Capital
Eu tenho consciência de que a gente fica,
Mesmo depois que a gente se vai
A gente fica
Na poesia,
Na casa construída às custas,
Nas músicas,
Na água,
No ar,
Nos resíduos,
Na terra.
E eu tenho medo
De que de tanto a gente querer ficar,
De tanto deixar rastros,
A gente leve tudo conosco,
Tudo que é matéria
E não sobre nem mesmo a Terra
Para nos enterrar.
terça-feira, 12 de outubro de 2021
Improváveis corações humanos
Quase me convenci
De algo impossível:
quarta-feira, 6 de outubro de 2021
Períodos de perda
Ando por aí,
A milhares e milhares de passos,
A procurar por você em todos os cantos,
Em todos os rostos,
No que sobra do raio de sol,
No meio das sombras,
Nas frestas das janelas dos bares,
Nas sombrias noites frias,
No início das manhãs,
Nas festas em que me sinto tão vazia.
E você nunca está,
Em nenhum corpo,
Em nenhum canto,
Em nenhum lugar.
Você nunca está.
E junto disso tudo,
Talvez pior do que isso tudo,
É que quando eu me pego a me olhar,
Quando eu arrisco a procurar por mim,
Eu também não me acho.