Caídos por terra
Regeneram-se em mim
Todas as vezes
Em que você me enterra,
Inteira, num abraço.
A causar-me o caos,
Estimula-me o dia,
Em pequenos fragmentos, vicia.
Por acaso,
Deixa-me insaciável
E, num desprezo confuso, some feito vulto.
Que duro, o descaso.
Que duro, o tempo ulterior ao nosso laço,
O futuro.
Que árduo,
Este prazo perpétuo
Em que me perco, em que perduro.
Suas palavras afetuosas,
Em curtas doses, afetam,
Soam como insultos.
Neste intervalo eterno,
O mundo é um inferno
Sendo você, assim, tão oculto.
E eu, que julgo-me culta,
Que tanto curto a vida,
Agora, sou uma estranha, uma esquecida.
Aonde quer que eu esteja, este tumulto.
Pareço mesmo padecer - sem luta, sem nenhum luto -
Em milhares de pedaços lançados ao túmulo.
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