quarta-feira, 16 de dezembro de 2020

Itinerante

Penso 

Que serei pobre para sempre

Porque a minha ideia de riqueza 

Não segue as marcas mais caras,

Não quer a casa mais espaçosa

E nem o último carro do ano.

Penso 

Que serei fracassada para sempre

Porque o que vejo como sucesso 

Não é dado pelos diplomas universitários,

É conquistado, dia a dia,

No respeito e na empatia 

Ao próximo. 

Penso que sempre serei estrangeira,

Em todos os lugares que eu for,

Porque, neste mundo,

Para pertencer, há que ser de tal jeito,

É preciso ter tamanho, 

Status, 

Ser idêntico ao rótulo.

E eu não sou.


Penso,

E a cada dia tenho tido menos dúvida,

Ser eu um acidente,

Um golpe, uma frustação,

Um fatalidade,

Um fiasco 

Ao mundo.


Não era este o meu intuito...


Mas agora é.



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Ser luz quando a gente se conduz