domingo, 13 de fevereiro de 2022

Alguém tinha que ser o culpado,
Não seria possível compreender
O meu jeito de ser sem achar o culpado

Pelas minhas tragédias corriqueiras,
Pelo meu comportamento traiçoeiro.

E então apontei o culpado em minha frente,
Talvez por estar próximo,
Talvez por ser fácil, conveniente.

Alguém que sempre me amou incansavelmente,
Alguém que sempre se doa a mim,
Independente da dor que eu causo.

Como tudo na vida é fase e descobertas,
Depois que apontei o culpado
Por ser eu do jeito que sou,
Vi que não havia saída
A não ser tomar a responsabilidade por mim mesma.

Depois que a resposta está dada,
Depois que desvenda-se o mistério,
Não há como não orientar-se a partir do fato novo.
Não há como não agir diante da verdade,
Não há como não andar pelo caminho conseguinte.
Não há como pular o futuro.

É então que surge o fio da meada:
Não há mais como correr de si mesmo,
Não há como fugir da responsabilidade de se fazer algo com aquilo que nos é dado.
Mesmo depois que aponta-se um culpado,
Mesmo quando joga-se a culpa no outro,
Não há escapatória de si mesmo.

Nunca há escapatória de si mesmo.


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