sexta-feira, 25 de março de 2022

Ser (do que é) humano

Faço falsas promessas,

Me perco em meus próprio desejos e propósitos.

Na maior parte do tempo eu me amo,

Tem horas que eu não me suporto.

Eu troco os pés pelas mãos porque, muitas vezes,

Não sei quem sou e nem o que quero.

Eu cresci buscando ser perfeita.

Ao ver que era impossível, eu decidi ser perfeita ao contrário:

Fiz tudo que é considerado errado,

Rebelde, subversivo, indomável.

Queria ir contra a perfeição,

Já que eu a amava, mas não poderia tê-la.

Hoje, eu escuto o discurso moralista,

Mas acredito que eu também dou discursos moralistas por aí.

O que me incomoda no discurso moralista 

É que ele é carregado de "boas intenções" e de ingenuidade

Para criticar e denunciar ações humanas

Que nada mais são do que ações humanas. 

Me parece que, no fim, o discurso moralista mais afasta o humano do que é ser (do que é) humano

Do que aproxima o humano da ideia de ser humano. 

A discurso moralista jogado

Coloca as pessoas como monstros,

Como demônios, como bizarros,

Sem levar em consideração que o humano

Muitas vezes é anjo bom,

Mas também é monstro, também é demônio, também é bizarro.


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