segunda-feira, 15 de agosto de 2022

Aos olhos da poesia, poeta é hipócrita

Nunca consegui provar que sou eu

A escritora das minhas poesias.

Nunca consegui provar,

Não sei para os outros,

Aqui falo de mim,

Nunca consegui provar para mim mesma.

É difícil de entender,

De acreditar.

É impossível creditar a poesia.

O eu que utiliza-se das palavras

Não é o mesmo que precisa do silêncio.

O eu que explica, se perde.

O eu que cala, cria.

Acredito que o eu poeta nunca poderá ser poesia.

Não é compatível, não é possível, não combina,

É contraditório, o poeta existe quando não há palavras envolvidas,

É no silêncio que vive o poeta,

Que grita

A poesia.

O poeta não consegue se revelar.

O poeta não cabe em lugares,

Não se encaixa em conversas paralelas.

Quando tenta entrar na poesia,

O poeta não existe mais,

Mesmo quando há pouco existia.

Quando se abre

A boca para explicar,

O poeta some,

Desaparece.

Volta alguma hora,

No que falta, 

No que falha,

Quando não é convidado.

Poeta é gente malcriada

E a poesia vingativa:


Termina-se poeta,

Começa a poesia.

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