Nunca consegui provar que sou eu
A escritora das minhas poesias.
Nunca consegui provar,
Não sei para os outros,
Aqui falo de mim,
Nunca consegui provar para mim mesma.
É difícil de entender,
De acreditar.
É impossível creditar a poesia.
O eu que utiliza-se das palavras
Não é o mesmo que precisa do silêncio.
O eu que explica, se perde.
O eu que cala, cria.
Acredito que o eu poeta nunca poderá ser poesia.
Não é compatível, não é possível, não combina,
É contraditório, o poeta existe quando não há palavras envolvidas,
É no silêncio que vive o poeta,
Que grita
A poesia.
O poeta não consegue se revelar.
O poeta não cabe em lugares,
Não se encaixa em conversas paralelas.
Quando tenta entrar na poesia,
O poeta não existe mais,
Mesmo quando há pouco existia.
Quando se abre
A boca para explicar,
O poeta some,
Desaparece.
Volta alguma hora,
No que falta,
No que falha,
Quando não é convidado.
Poeta é gente malcriada
E a poesia vingativa:
Termina-se poeta,
Começa a poesia.
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