Preciso escrever,
Preciso escrever, preciso escrever...
Li poesias minhas e fiquei boquiaberta,
Li poesias minhas e decidi abrir - não a boca - o coração:
Ou há algo muito errado com o mundo,
Ou há algo muito errado comigo,
Ou então há algo muito errado com tudo, talvez, com quase tudo.
Estão a me obrigar a me relacionar com as pessoas,
Estão a me obrigar a me relacionar com pessoas com as quais não quero me relacionar.
Me disseram, há alguns dias, devo me esforçar para manter relacionamentos que eu não quero manter.
Eu disse ao sujeito, o terapeuta: não quero amizade com essa pessoa, nunca a considerei amiga, não sinto carinho e nem afeição genuina por ela, sempre foi fingimento da minha parte, me esforcei em fazer algo que não queria, por isso, estou cansada, isso me consome, me tira a paz,
Isso faz sumir em mim o meu bem estar,
Me esforçar para manter alguém que não considero amiga como amiga é o mesmo que me esforçar para limpar um chão com uma esponja feita de barro,
É cansativo, exaustante e nada justo,
Nem comigo, nem com a outra pessoa e, no mais, eu não consigo.
Portanto, estou cansada, quero ser honesta,
Goste quem gostar, eu não quero ser amiga de ninguém por pura aparência, por pura convenção social, que tipo de sociedade é essa, afinal?
Os humanos estão perdidos, apunhalando uns aos outros pelas costas, de maneira silenciosa,
Eu não quero apunhalar ninguém pelas costas de maneira silenciosa,
Portanto, não quero ser amiga de quem não sinto nem sequer carinho,
Prefiro ficar sozinha,
Prefiro ser justa comigo e com os outros,
Prefiro ser honesta:
Não te dou amor, não te dou nenhum apreço,
Não sinto nada por você, na verdade, sim, algo parecido com desprezo,
Fique longe de mim,
Ao contrário do que pensam,
O que sinto, não tem preço.
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