Eu quero falar sobre o amor, mas ninguém me ensinou sobre esse tema na escola, na faculdade, nos congressos acadêmicos ou nos encontros formais que apontam teorias sobre tudo. Sempre me encabulou um assunto tão relevante nunca ter entrado como conteúdo nos currículos escolares. Logo o amor que, possivelmente, é o tema mais pertinente na vida das pessoas e motivador direto de alegrias e tristezas. Frequentemente me pego matutando sobre o amor e realmente não sei porque os sábios não dão a devida importância a esse tópico. Pensando bem, acredito que esse é assunto que não cabe nos conceitos bem definidos e limitados dos programas de ensino.
Nas andanças da vida, quando tive oportunidade, algumas poucas vezes acabei entrando em contato direto com o que as pessoas chamam de amor. Vale dizer que me surpreendi um tanto, porque em nenhuma ocasião o presenciei de forma simples e descomplicada, como supunha minha inocente e sonhadora imaginação. A ideia bonita e simplória de amor foi se esfarelando gradativamente dentro de mim e, ao final do terceiro e último relacionamento, levei quase que literalmente só o pó, então, misturei tudo com água e remontei do jeito que deu.
Nas andanças da vida, quando tive oportunidade, algumas poucas vezes acabei entrando em contato direto com o que as pessoas chamam de amor. Vale dizer que me surpreendi um tanto, porque em nenhuma ocasião o presenciei de forma simples e descomplicada, como supunha minha inocente e sonhadora imaginação. A ideia bonita e simplória de amor foi se esfarelando gradativamente dentro de mim e, ao final do terceiro e último relacionamento, levei quase que literalmente só o pó, então, misturei tudo com água e remontei do jeito que deu.
A vida, às vezes, é um bocado embaraçosa, porque, por exemplo, se em muitos casos é compreensível que um estudante seja reprovado em determinada disciplina devido a sua falta de interesse e incapacidade para falar sobre algum conteúdo, torna-se um tanto enigmático e confuso o meu insucesso em relação ao amor, uma vez que nunca me faltou aspiração e vontade para aprender profundamente sobre o tema. Pressuponho que a falta de diálogo sobre o amor seja um dos grandes motivos do caos universal.
Já que entrei no assunto, quero dizer que as pessoas precisam esquecer sobre o amor romântico ensinado nos filmes hollywoodianos, pelo sistema capitalista e pelo padrão opressor heteronormativo que coloca o homem como o príncipe que sempre salva uma frágil mulher. A ideia de amor cuspida na cara das pessoas, padronizada de forma criteriosa e socialmente aceita está completamente equivocada. Ao contrário do que as pessoas pensam, amor não é salvamento de mulher fraca por homem que fazem de herói. Amor é o que se sente no peito independentemente de exibição. Amor não delimita incumbências ou ofícios como fazem as fábricas do sistema capitalista.
Já que entrei no assunto, quero dizer que as pessoas precisam esquecer sobre o amor romântico ensinado nos filmes hollywoodianos, pelo sistema capitalista e pelo padrão opressor heteronormativo que coloca o homem como o príncipe que sempre salva uma frágil mulher. A ideia de amor cuspida na cara das pessoas, padronizada de forma criteriosa e socialmente aceita está completamente equivocada. Ao contrário do que as pessoas pensam, amor não é salvamento de mulher fraca por homem que fazem de herói. Amor é o que se sente no peito independentemente de exibição. Amor não delimita incumbências ou ofícios como fazem as fábricas do sistema capitalista.
O produto resultante de todo amor que é ensinado pelo sistema opressor heteronormativo, capitalista e machista é o erro generalizado na forma de amar, uma ideia inadequada do que é o amor, um ideal descabido desse sentimento que é simples, puro e revolucionário. O amor, infelizmente, perdeu sua pura significação em meio ao mercado lucrativo, ao capitalismo corrosivo, aos interesses narcisistas, ao excesso de valorização do ego. O amor anda perdido em meio ao ditame do que é adequado aos moldes sociais, ao machismo letal e maléfico, ao esquecimento do que é realmente importante para ser feliz em detrimento do que dizem que é necessário para ser feliz. O amor, na sua elementar e pura significação, não é o que se vê nos rostos cansados às seis da manhã, nos passos atrasados a trotar pelas calçadas, nos olhos que vêem, mas não enxergam nada, na disputa profissional que faz alguém desejar o insucesso do outro. O amor, na sua elementar e pura significação, não é o que vejo nas conversas distantes pelo celular, na proposital falta de resposta e no monólogo sem fim. O amor se transformou na falta de encontro, na falta de diálogo, no olho no olho com a foto, mas não com o ser.
As redes sociais são provas empíricas de que aprendemos tudo errado. Nelas, discute-se mais sobre o êxito alcançado na morosidade da resposta do que sobre o prazer que é desencadear uma conversa sem pressa na sombra, debaixo de uma árvore, ou na mesa farta do café. Me parece que a grande vitória, hoje, se dá a quem consegue demorar mais na resposta a uma mensagem pelo celular, e o triunfo torna-se ainda maior se o indivíduo consegue aniquilar por completo o diálogo. É engraçado pensar que nas conversas pelas redes sociais o silêncio é predominante e, ainda assim, os diálogos acontecem em grande escala, mas são raras as vezes que acrescentam alguma coisa à vida. Eu suponho que o amor (ou a falta dele) está cada vez mais marcado pela inexistência de brilho nos olhos, já que é raro o olho no olho, e pela escassez de abraços. Já previam alguns sociólogos, as redes sociais trouxe o significado lamentável do que é o ser humano descartável. Eu mesma já fui descartada tantas vezes.
Refletir sobre tudo isso gera um tremendo mal estar, até porque não vejo solução quando penso em fugir deste contexto. Além do mais, eu não deveria falar sobre essas coisas por aqui, numa página solitária de uma rede social, porque parece um paradoxo. A verdade é que eu queria mesmo uma conversa despreocupada em qualquer grama verde e fresca. Entretanto, creio que não há mapa que possa me levar onde o amor que sinto no peito deseja chegar. Então eu vou caminhando por instinto.
Lívia Gallo
Lívia Gallo
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