sexta-feira, 22 de junho de 2018

Trivial santidade

Esses versos só serão entregues
Quando avisarem em rede nacional
As últimas horas de vida na terra
A extinção da criatura humana irracional

Esses versos são para enunciar
Que o coração anda mal
E isso não é tempestade em copo d'água
É vendaval!

Esses versos, adentrando ao assunto,
É o manifesto de te admirar,
A desnudez da vontade de te tocar
Revelação da minha baderna interna.

Quando finalmente chegar a hora
Os mortais saberão
Do meu interesse
Para muito além de te ver

De te enlouquecer
Em qualquer hora, em qualquer lugar,
Num beco escuro, num banheiro sujo, que seja
Numa cama abandonada ou numa requintada sala de estar.

Esses versos, por um triz, são puros
Entretanto, o corpo fica inquieto, em apuro
Quando o desejo prematuro cresce
Ah, os desejos obscuros...

Quando chegar o fim do mundo, você saberá,
O quanto desejo a nossa matéria juntas
E, se somos santas ou putas, ninguém pode julgar
Afinal, a única certeza da vida é a cova.

Esses versos são apenas para elucidar
A ânsia que você me impele
De sentir o gosto da sua boca
A vontade sagrada de tocar a sua pele.

E de ver a expressão em seu rosto
Quando o gozo é exposto.
Se você me desse uma chance
O advento da vida estaria bem aqui, ao nosso alcance.

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Ser luz quando a gente se conduz