sexta-feira, 9 de outubro de 2020

Beirada de Galway

 Me sentei lá,

Na beirada,

Um pouco seca, 

Um pouco molhada, 

Nem muito pra um lado,

Nem muito pro outro...

Um pouco de tudo ali,

Eu, imóvel, fã da correnteza,

Assim é que foi.

Lá, sentada, eu observava os pássaros,

Como se um fosse a cópia perfeita do outro,

Mas a verdade é que cada um era um.

Nenhum deles, apesar de nadarem juntos, nadava igual.

Nenhum deles, apesar de descansarem juntos, descansava igual.

Uns com a cabeça mais curvada pra lá,

Outros com o corpo um pouco mais reto,

Um pouco mais cansado...

Sentada lá, pensava que não há tanta diferença

Entre os pássaros e a gente,

Exatamente porque, sendo nós distintos, somos também muito parecidos em comportamentos, 

Em atitudes, em instintos,

Principalmente quando se trata da infinda vontade de voar.


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Ser luz quando a gente se conduz