sexta-feira, 30 de outubro de 2020

Primeiro combate

Obrigaram-nos à felicidade.

Exigência árdua a quem segue ditames.

Primeiro, os homens perderam a bondade.

Depois, perderam o autogoverno

E, por conseguinte, o livre-arbítrio.

Então, escapuliu o discernimento.

Agora, a maioria marcha no escuro,

Encoberta por sua própria venda,

Turvada do que é acessível, claro.

Tão curvada...

Chega a dar pena...

Que lástima,

Olhar apenas para os próprios pés.

Também eu, muitas vezes, tenho olhado.


Tantos perambulam esquecidos do mundo.

Muitos divagam contaminados pelo relógio, pensando apenas no futuro,

E se esquecem do tempo importante, oportuno:

Este breve presente.


"É hora!", enunciam os deuses cósmicos,

Do cair do temporal, do sol de rachar,

Da flor que morre e cresce em temporadas.


Obrigaram-nos demasiadamente à felicidade.


Hoje, suspeito que quem é feliz

Arrisca-se

A não entreter-se no jogo mundano.

A não cumprir as regras.

Eu retiro-me...

Essa brincadeira de mau gosto,

Eu chamo de

guerra.


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Ser luz quando a gente se conduz