Àqueles que me acolheram em sua casa,
Me deram comida e cama,
Me deram água e dinheiro,
Agradeço imensamente.
De tudo o que feito,
Dentro do meu peito,
Trago o vazio de ter tido tudo para manter o corpo físico vivo
E nada para manter viva a alma e o coração.
Ter todos os bens materiais oferecidos,
Menos aceitação por ser quem se é
É o mesmo que pagar para alguém ficar
Só pelo dinheiro, nunca pelo amor ou pelo apreço.
Hoje tenho pena desta menina que fui:
Adolescente desamparada de cuidados,
De acolhimento, de aprovação.
Não gostei de estar na pele desta menina. Como poderia? Queria poder abraçá-la e cuidar para que se o mundo fosse pesado demais para ela, ela poderia ter certeza de que, dentro da casa dela, o mundo seria leve e preenchido de qualquer coisa que não fosse a distinção de tratamento ou de discriminação, só por se ser quem se é, por amar quem se quer.
Aqui, uma poesia diferente, para uma menina adulta diferente daquela triste menina que sofreu por tantos anos por não ser o que deveria, aos olhos dos seus.
Para nascer algo novo, o antigo há que morrer. Para uma nova menina surgir, a antiga precisa se deixar ir e com ela todo o sofrimento de ter que se esconder por vinte e nove anos, para ser feliz. Adeus, menina antiga, aqui lhe dou este abraço.
Adeus pessoas que criaram uma adolescente triste e amargurada até a adulta de ontem. A de hoje, nasceu agora há pouco, para abraçar tudo que for novo. Venha, venha com alegria.
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