Agora, depois de um ano de terapia,
Falando dos sonhos, dos problemas, das vergonhas, dos dilemas
Aquela pedra que pesava um caminhão,
Bem em cima da minha cabeça,
Diminuiu um pouco de tamanho e consequentemente de peso,
Já não a carrego por todos os lugares que vou.
Agora, fico me perguntando, como eu podia viver com todo aquele peso em mim?
Mas antes eu me perguntava, como eu posso viver sem esse peso em mim?
Eu acreditava que a melhora da mente viria se eu me afastasse da pedra a ponto de não conseguir vê-la, a ponto de tentar esquecê-la,
Mas a pedra nunca sumiu, nunca foi a lugar algum e ela me incomodou tanto que, ao contrário, fui obrigada a me aproximar dela.
Olhá-la tão de perto a fez parecer maior do que era, mas então a aproximação me deu a chance de percebê-la de tal maneira que eu acredito que consegui quebrá-la em pedacinhos menores e movê-los para outro lugar.
Não sei quantas pedrinhas agora tenho, mas elas são menores e pode ser que algum dia elas se tornem grãos de areia que voam com a ventania.
O que eu espero mesmo é, um dia, poder ter apenas poeira em mim.
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