Lendo as últimas cartas
Escritas por Oscar Wilde,
Ele dizia, mais ou menos assim,
Que não temos o poder,
Diante das palavras,
De fazer alguém sentir o que não se sente,
De explicar o que não se é entendido,
De apontar culpa diante daquele que não se sente culpado,
No entanto, em suas últimas cartas,
Wilde, aprisionado em cela,
Escrevia para seu antigo amor
E diante das palavras
Tentava criar algum sentimento,
Tentava se explicar para ser entendido,
Tentava culpar para fazer nascer a culpa
No outro que provavelmente só sentia o que podia.
E não somos nós, por fim, assim também?
Antagônicos, mas cheio de esperança e de vida,
Refém do que dizemos a nós e aos outros,
Esperando, nós mesmos, um dia, também entender para sentir?
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