sexta-feira, 7 de outubro de 2022

O que falo, eu entendo?

Lendo as últimas cartas

Escritas por Oscar Wilde,

Ele dizia, mais ou menos assim,

Que não temos o poder,

Diante das palavras,

De fazer alguém sentir o que não se sente,

De explicar o que não se é entendido,

De apontar culpa diante daquele que não se sente culpado,

No entanto, em suas últimas cartas,

Wilde, aprisionado em cela,

Escrevia para seu antigo amor

E diante das palavras

Tentava criar algum sentimento,

Tentava se explicar para ser entendido,

Tentava culpar para fazer nascer a culpa

No outro que provavelmente só sentia o que podia.

E não somos nós, por fim, assim também?

Antagônicos, mas cheio de esperança e de vida,

Refém do que dizemos a nós e aos outros,

Esperando, nós mesmos, um dia, também entender para sentir?

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