A casa de artéria
Sem areia nem terra
Sem areia nem terra
Com comoção de desabar
Tem praticamente coração de pedra
E sustenta-se, dia após dia,
Sabe se lá como,
Com sua estrutura fina,
Afundada nas conversas,
Imergida na miséria,
Cambaleante de bêbada,
Tem praticamente coração de pedra
E sustenta-se, dia após dia,
Sabe se lá como,
Com sua estrutura fina,
Afundada nas conversas,
Imergida na miséria,
Cambaleante de bêbada,
Submersa em festas,
Teria qualquer outra vida
E porque não quer, não tem.
A casa de artéria
É morada sem namorada
Mas é à base de flertes,
Escorada em paredes opostas,
Ancorada na alvorada, joga-se na rede,
Sente a sede do amor
E precisa de ajuda
Mas não cede.
Por socorro, a casa de artéria,
Nunca pede.
Por socorro, a casa de artéria,
Nunca pede.
E, se cair, um dia, cruzando qualquer via,
Vai e nem mesmo se despede.
É queda pela qual esperava pronta.
Vai e nem mesmo se despede.
É queda pela qual esperava pronta.
A casa de artéria ergueu-se assentada na sombra
E não teria razão de existir se fosse pela sua honra.
E não teria razão de existir se fosse pela sua honra.
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