sábado, 29 de abril de 2017

Asas de gavião

Esse coração,
Apesar de ser um tanto volátil,
Não evapora.
Mas se um dia o fizer,
Com punho firme afirmo:
Não será de maneira fácil.
Esse coração,
Que insiste em existir
De maneira imbecil e instável,
Tantas vezes me surpreendeu
Sendo um tanto resistente
Ainda que muito frágil.
Há pouco,
Com uma habilidade inigualável,
Se jogou perante um abismo
Em meio a pedras pontiagudas.
Mas, antes de tocar o chão,
Inventou asas fortes
Como as de gavião.
Voou sem rumo
E, quando pousou,
Pousou com prumo.
Ofegante,
O coração ficou a esperar.
O bater das asas,
Apesar de o salvar,
Cansa.
Agora encontra-se em um lugar deserto,
Onde não há gente alguma por perto.
Daqui a pouco, esse coração
Que está a descansar
Alça voo novamente.
É brio obstinado
Que ama demais
Ou melhor dizendo: demasiadamente.

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