sábado, 29 de abril de 2017

Elefante da sorte

Andando pelo deserto de Gobi
A minha sorte eram as estrelas de madrugada
Fiz da luz de cada uma minha morada
E domiciliei-me em tantas casas que apelidaram-me de estrada de terra iluminada.
Passei a caminhar pela vida afora.
Numa manhã de trinta graus
Descobri a Tanzânia
Eu estava tão distante em retiro
Que numa mania de procurar sinais
Num hábito de olhar os astros
Avistei de longe um enorme elefante.
Esperei que ele se aproximasse
E indaguei:
- Para onde devo caminhar?
Ele me olhou com o seu formoso semblante
Com seus olhos de jabuticabas maduras brilhantes:
- Vá ao caminho de quem você considera importante
Se não há reciprocidade, é apelo que grita "avente".
Amor é oriundo da natureza
Incompatível com exigências dissimuladas e artificiosas.
Olhei para o enorme elefante:
- Quer dizer que amar é acidente?
- É sorte. Ninguém pode amar de forma semelhante, apenas amar.
Então, depois de muito caminhar, cheguei até aqui...
Não trouxe nada de valor exorbitante
Apenas amor e admiração gigante
Por você
Que vale mais que ouro
E trinta e um mil quilates de diamante.

Lívia Gallo

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Ser luz quando a gente se conduz