Ladeira abaixo,
O menino e o patinete,
Numa velocidade demasiadamente prudente
Para uma criança de seis ou sete.
Ladeira abaixo,
O menino e o patinete,
Numa segurança ingênua
De quem há pouco saiu das fraldas.
Ladeira abaixo,
O menino,
Manso, mesmo quando topou com um monte de terra
E então, num súbito susto para os joelhos,
A queda.
A feição que antes era de tranquilidade
Passou a ser tristeza e chateação.
O menino engoliu o choro.
Não gritou,
Não fez sequer uma reclamação.
Coisa de gente de clima frio,
Um pouco insensível.
Ali, do jeito que caiu, ficou, meio curvado, meio sentando, observando o machucado.
A mãe veio correndo, também não disse muitas coisas,
Deu a mão ao menino, ajudou-o a se levantar, pegou o patinete,
Vida que segue.
O menino sem patinete,
Subindo a rampa cabisbaixo,
Aprendeu, em rampa onde tem terra
Patinete não anda.
Aprendeu,
A culpa não é do patinete,
Nem tampouco da terra
É de como se usa o patinete e a terra.
O menino, daqui pra frente, vai se lembrar do acontecido que durou menos de um minuto
Pelo resto da vida de criança e de adulto,
Para poder ter, por fim, outros tombos para levar.
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