terça-feira, 13 de agosto de 2024

O menino e o patinete

Ladeira abaixo,

O menino e o patinete,

Numa velocidade demasiadamente prudente

Para uma criança de seis ou sete.


Ladeira abaixo,

O menino e o patinete,

Numa segurança ingênua

De quem há pouco saiu das fraldas.


Ladeira abaixo,

O menino,

Manso, mesmo quando topou com um monte de terra

E então, num súbito susto para os joelhos,

A queda.


A feição que antes era de tranquilidade

Passou a ser tristeza e chateação.


O menino engoliu o choro.

Não gritou,

Não fez sequer uma reclamação.

Coisa de gente de clima frio,

Um pouco insensível.


Ali, do jeito que caiu, ficou, meio curvado, meio sentando, observando o machucado.

A mãe veio correndo, também não disse muitas coisas,

Deu a mão ao menino, ajudou-o a se levantar, pegou o patinete,

Vida que segue.


O menino sem patinete,

Subindo a rampa cabisbaixo,

Aprendeu, em rampa onde tem terra

Patinete não anda.

Aprendeu,

A culpa não é do patinete,

Nem tampouco da terra

É de como se usa o patinete e a terra.


O menino, daqui pra frente, vai se lembrar do acontecido que durou menos de um minuto

Pelo resto da vida de criança e de adulto,

Para poder ter, por fim, outros tombos para levar.





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