As folhas das árvores exaltadas lá fora,
Me lembram que faz tempo
Que não vou à praça para reparar as pessoas,
os pássaros, as folhas,
Para ser mais exata, há um ano e meio,
Quando meu terapeuta deu a sugestão:
Parar de reparar tanto ao redor para criar poesia
E ir, de fato, viver a vida!
Ir, de fato, viver a vida.
Levei ao pé da letra:
Adeus poesia.
Aqui, em defesa do meu terapeuta:
É preciso interpretar o que nos é dito
Para que não coloquemos-nos em apuros.
Digo isto porque
Meu terapeuta, quando sugeriu que eu parasse com a poesia para ir viver a vida,
Quis dizer que é preciso conhecer melhor e verdadeiramente
As pessoas, os pássaros, as folhas,
Para poder escrever, de fato, sobre as pessoas,
Sobre os pássaros e sobre as folhas.
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