domingo, 12 de agosto de 2018

A última carta que te escrevi

Não atravessaria as avenidas agitadas de São Paulo
Não perguntaria por você sob as lanternas vermelhas da Liberdade
Não encontraria voz nem se espalhassem milhares de megafones pela cidade
Não te procuraria pelos atalhos obscuros e misteriosos da mocidade
Não te buscaria
Não te buscaria, mesmo
Nem por amor, nem por amizade
Não é pelo desaparecimento do que é recíproco
É por ter faltado muito
Por ter sobrado verdadeiramente pouco
O mínimo, do mínimo, do mínimo, do mínimo
De qualquer coisa que eu consiga chamar de humanismo.
E mesmo assim te escrevo.

Lívia Gallo

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