terça-feira, 14 de agosto de 2018

Trégua

Meditar tem me salvado Apesar de andar um tanto desacreditada Com as vistas cerradas Na tentativa de enxergar o óbvio Ocupa-me, às vezes, o alívio. Toda manhã tenho me sentado de pernas cruzadas Em cima do meu travesseiro e de um urso em forma de almofada De olhos fechados, eu vejo muito. Hoje, vi o Japão, Uns gatos soberanos em cima de um muro, As Cataratas do Iguaçu, Uns cajus laranjas caindo de tão maduros, Senti o meu coração, bem lá no fundo. Uma águia a procurar refúgio, Também vi a angústia, Muita gente na Nigéria levando murro, Muita gente levando soco da miséria, Gente no morro, morrendo pouco a pouco, sem futuro. Hoje, eu vi o Japão, uns gatos em cima d’um muro, Vi as bênçãos e as tragédias do mundo. Pedi proteção ao universo Roguei por trégua Pedi o inverso da miséria Menos selvageria para a civilização. Eu bem sei que não é muito Mas só posso me salvar do relento, Do meu descontentamento, Olhando por mim Como olho e oro por tudo.

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Ser luz quando a gente se conduz