Meditar tem me salvado
Apesar de andar um tanto desacreditada
Com as vistas cerradas
Na tentativa de enxergar o óbvio
Ocupa-me, às vezes, o alívio.
Toda manhã tenho me sentado de pernas cruzadas
Em cima do meu travesseiro e de um urso em forma de almofada
De olhos fechados, eu vejo muito.
Hoje, vi o Japão,
Uns gatos soberanos em cima de um muro,
As Cataratas do Iguaçu,
Uns cajus laranjas caindo de tão maduros,
Senti o meu coração, bem lá no fundo.
Uma águia a procurar refúgio,
Também vi a angústia,
Muita gente na Nigéria levando murro,
Muita gente levando soco da miséria,
Gente no morro, morrendo pouco a pouco, sem futuro.
Hoje, eu vi o Japão, uns gatos em cima d’um muro,
Vi as bênçãos e as tragédias do mundo.
Pedi proteção ao universo
Roguei por trégua
Pedi o inverso da miséria
Menos selvageria para a civilização.
Eu bem sei que não é muito
Mas só posso me salvar do relento,
Do meu descontentamento,
Olhando por mim
Como olho e oro por tudo.
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