terça-feira, 21 de agosto de 2018

Fora da nove

Quando eu era mais jovem
Conduzia com o pé o jogo
Enfiada na camisa nove
Com virtuosidade
A bola vinha em minha direção
E eu sabia o que fazer com ela
Queria ser jogadora de futebol.
Mas cortaram as minhas asas.
Então me atirei feito anzol
Na pescaria enlouquecida de carreira
Incumbências, profissão, ofício
Imposições do mundo:
Te fisga e é duro voltar pra abundância
Flutuar na profusão.
Coisa chata, difícil, difícil de aturar
Conveniências da vida.
E não adiantou nada.
Tudo que é vivo cresce.
Caí, discrepantemente, na escrita.
Agora, um aviso,
Não adianta cortar as minhas asas,
Eu posso voar com a alma,
Correr mil gramados,
Em pé ou sentada.
Pairo sobre qualquer lugar.
A doutrina sobre ser útil à instituição
É teoria que não me contempla,
Não me interessa a sua opinião
Porque, se é sua, não é minha.
E para me tirar a poesia
Só se me matar
E olhe lá…

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Ser luz quando a gente se conduz