sexta-feira, 17 de agosto de 2018

Jogada em jarra

É engraçado
Como as coisas criam formas
Qualquer líquido jogado em jarra
Vira jarra
E qualquer rompimento do limite
Já era
Vira mesa, bagunça, chão
Vira tudo
Menos jarra
Se é copo na mão
É tipo garra
Se derrama
Vira roupa
Vira corpo, colchão
Como um risco acidental em objeto pontiagudo
Vira corte, arranhão.
É engraçado
Eu entendo porquê
É muito difícil se encaixar
Quando se é volátil, instável corrente d'água.
Mata-se a sede e, por vezes, é ela que te mata.
Outrora era a vida,
A coisa desejada
Agora, o nada.
Então, quando te dão oportunidade,
Você quer mesmo é sair da bolha
Voar como fazem as folhas
Vazar sem olhar para trás
Molhar para secar por escolha
Se der, amar
Amar sem dar
Derramar gotas e mais gotas
Se esgotar.
Todo rompimento, quebra, fratura
Pesa, dói, machuca
E a gente atura
Porque é necessário, de quando em quando,
Retirar-se, partir, mudar
Para crescer
Se espalhar
Ser matéria extensa
Espelhar a face
Deitar na terra
Para subir, evaporar.
Ou você corre ou te engolem
Com o tempo
Ou com a toalha.
Por fim, é eficaz a bagunça que liberta
Da constância da vida da jarra perfeita
Fria e dura
Para dar consciência à vida em jarra lotada de rachaduras.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Ser luz quando a gente se conduz