A essa gente que me julga
Que se alimenta do meu sangue
Como se fosse um parasita
Portando-se como pulga
E que diz em bom tom
Que me considera feia
Por eu amar outra mulher
Como se sua ideia doentia
Causasse-me doença
E arrancasse-me o ar
Como faz a apnéia
Enuncio que não me importo
Faço mesmo pouco caso
E que, um dia, eu ainda me caso
Com orgulho e com amor
Com quem eu considerar que seja a minha flor.
Dou-lhe em troca o meu desdém
E seus insultos se esvaem.
Nasci para ser o seu oposto,
Por isso danço na ala do bem.
Todavia, minto,
Tenho levado em consideração
Os discursos cuspidos por bactérias do mal
A saliva suja de quem me engole de forma brutal
Dia após dia.
Consola-me saber
Que, mais cedo ou mais tarde,
Quem me traz a moléstia
Mastigando-me com pressa
Acaba por se engasgar
E sufoca-se
Como quem come de uma só vez sem respirar
No fim das contas
O jogo vira, você é quem perde o ar
E sucumbe sem saber
O efetivo significado de amar.
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