A espera me preparou
Para o resguardo do tempo
Que nada mais é senão aguardar
Guardar a vida num pote
Fechar
Esperar, esperar...
Esperar a morte.
A espera demora
Outrora, apressa
E faz do que é
O que era.
O aguardo de trezentas e sessenta e cinco voltas da terra
O aguardo da primavera
O resguardo da mulher que gera
A espera do fim da cólera
E, à espera dela, de quando em quando, pira-se.
A espera
É coisa severa
E não releva, não releva...
É quimera
Esperar que a espera perfaça-se,
Porque na vida, uma coisa ou outra, a gente até supera.
Mas a gente não supera
A gente não supera
A gente não supera
A espera.
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