Uma vez mais
Meu peito encontra-se atormentadoE como sempre
Uma vez mais
Dentre todos os ais
Dentro de todos os casos nos quais me meti
Esse também tem sido um caos.
É que os últimos parecem sempre mais brutais.
Mais uma vez, cheguei ao cais,
A embarcação já estava posta.
Avistei de longe o imenso navio
Devido ao meu atraso, coloquei-me em disparada,
Corri apoiada em meus coturnos de salto em verniz
Abalando cada fragmento de madeira no assoalho
Torcendo para chegar a tempo
Para não desabar em meio à multidão
Então subi a bordo do que me levou ao abismo
E por muitas vezes eu estive por lá.
Na loucura do embarque, após subir a rampa,
Como se te dessem veneno
Anda-se a esmo
Sendo exatamente o que é o peito apaixonado:
Algo menos lúcido, algo mais pirado.
Inesperadamente me peguei pensando no acaso
Atormentada por ter me apaixonado
Por quem não pode doar-se a mim porque já é casado
E isso machuca
Todavia não me surpreende.
Desconfio que meu prazer nos outros
Provém, deveras, da presença do descaso.
Nenhum comentário:
Postar um comentário