segunda-feira, 1 de outubro de 2018

Agarra-te à vida

Por A mais B Cansei de dizer Esta sua foto Conduzindo medalha Se não significa algo para você Não vale muita coisa Em verdade, não vale de nada. Sem contar que pesa, Lívia. Não o fato de carregá-la, Mas o de pertencê-la. Quando pertence-se a algo, Limita-se a capacidade de ser livre. E também este seu diploma em quadro Trepado na parede deste quarto escuro Ostentando poeira, vacuidade e goteiras, Desde quando o governo era outro, Se não foi utilizado até hoje Qual o propósito? Ser visto pelos olhos dos outros? Virar repositório de pragas? Olhe para você, Lívia, Vá tomar um banho, tira esse cheiro do corpo, Não quero a tristeza com você Não quero as suas unhas pretas. Pega o que você gosta (O que você gosta) E utiliza! Senão a cama vira mortalha da vida. O diploma, que seja, um encosto sem propósito, Uma alusão às moldura velhas, sem fotos, sem rostos. Mas se o que te faz feliz É entregar a vida Ao padrão inquestionável Ao patrão tirano, pesado, Não direi um “a”. Não sairá da minha boca letra alguma A não ser, por descuido, a palavra “louca”. Mas eu, morando em sua mente, Pisando por onde você vai, Sentindo cada arrepio proveniente dos conselhos de seu pai, Olhando a vida com os seus olhos, com os seus, Não com os dos demais, Temo a perda de rumo pelo domínio, Temo as ordens tiranas do hierarquicamente superior, E, por conseguinte, a perda do seu ser. Depois vem a lápide, Cravada num mais novo clichê, Resumindo qualquer coisa que você foi Mas nunca o que você poderia ser. Por A mais B, Lívia, Não deixe que te arranquem de você. Agarra-te à vida.

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Ser luz quando a gente se conduz