Por A mais B
Cansei de dizer
Esta sua foto
Conduzindo medalha
Se não significa algo para você
Não vale muita coisa
Em verdade, não vale de nada.
Sem contar que pesa, Lívia.
Não o fato de carregá-la,
Mas o de pertencê-la.
Quando pertence-se a algo,
Limita-se a capacidade de ser livre.
E também este seu diploma em quadro
Trepado na parede deste quarto escuro
Ostentando poeira, vacuidade e goteiras,
Desde quando o governo era outro,
Se não foi utilizado até hoje
Qual o propósito?
Ser visto pelos olhos dos outros?
Virar repositório de pragas?
Olhe para você, Lívia,
Vá tomar um banho, tira esse cheiro do corpo,
Não quero a tristeza com você
Não quero as suas unhas pretas.
Pega o que você gosta
(O que você gosta)
E utiliza!
Senão a cama vira mortalha da vida.
O diploma, que seja, um encosto sem propósito,
Uma alusão às moldura velhas, sem fotos, sem rostos.
Mas se o que te faz feliz
É entregar a vida
Ao padrão inquestionável
Ao patrão tirano, pesado,
Não direi um “a”.
Não sairá da minha boca letra alguma
A não ser, por descuido, a palavra “louca”.
Mas eu, morando em sua mente,
Pisando por onde você vai,
Sentindo cada arrepio proveniente dos conselhos de seu pai,
Olhando a vida com os seus olhos, com os seus,
Não com os dos demais,
Temo a perda de rumo pelo domínio,
Temo as ordens tiranas do hierarquicamente superior,
E, por conseguinte, a perda do seu ser.
Depois vem a lápide,
Cravada num mais novo clichê,
Resumindo qualquer coisa que você foi
Mas nunca o que você poderia ser.
Por A mais B, Lívia,
Não deixe que te arranquem de você.
Agarra-te à vida.
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