Já torci tanto para segunda não chegar
E agora penso sobre a primeira terça de janeiro
Tantas vezes revirei os olhos de desgosto
Na censura de confiar que todo início
De março
De junho
De agosto
Abrem portas para o novo benévolo
E agora, em pleno sete de outubro,
Como acreditar na segunda
Quando descubro o encontro macabro
De sujeitos sujos contra o povo?
Agora, a terça traz muita desesperança
E é como se segunda fosse a primeira
Chance de levar um soco
No meio da minha face pálida
E padecer um dia depois
Apenas por ser eu, virar almoço
De homens perversos
Sanguinários que caíram do inferno
Para assistir a nova colonização
Não só em Salvador, em Olinda, no Rio
Em todo lugar, não apenas para adestrar indígenas.
Um governo que não nos salva de nada
Que ri com brutalidade na nossa cara
Que nos causa dor.
Tenho torcido para segunda não torcer meu pescoço,
Não me dar um soco.
Torço para segunda ser a primeira chance
Do sopro de paz, de deixar os cruéis para trás
De fazer da nação a não apropriação
Do verde e amarelo como desculpa da dominação da maldição.
Mas não, não adianta, a segunda chega,
E tenho torcido para que haja uma terceira opção
Para que o Brasil não acorde com armas nas mãos.
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