domingo, 7 de outubro de 2018

Outubro de luto

Já torci tanto para segunda não chegar E agora penso sobre a primeira terça de janeiro Tantas vezes revirei os olhos de desgosto Na censura de confiar que todo início De março De junho De agosto Abrem portas para o novo benévolo E agora, em pleno sete de outubro, Como acreditar na segunda Quando descubro o encontro macabro De sujeitos sujos contra o povo? Agora, a terça traz muita desesperança E é como se segunda fosse a primeira Chance de levar um soco No meio da minha face pálida E padecer um dia depois Apenas por ser eu, virar almoço De homens perversos Sanguinários que caíram do inferno Para assistir a nova colonização Não só em Salvador, em Olinda, no Rio Em todo lugar, não apenas para adestrar indígenas. Um governo que não nos salva de nada Que ri com brutalidade na nossa cara Que nos causa dor. Tenho torcido para segunda não torcer meu pescoço, Não me dar um soco. Torço para segunda ser a primeira chance Do sopro de paz, de deixar os cruéis para trás De fazer da nação a não apropriação Do verde e amarelo como desculpa da dominação da maldição. Mas não, não adianta, a segunda chega, E tenho torcido para que haja uma terceira opção Para que o Brasil não acorde com armas nas mãos.

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Ser luz quando a gente se conduz