Quando sinto demais
Vem a sentença:
O não sentir é o melhor a se fazer
E a despeito disso,
Não cumpro a meta
E me torno tão incoerente.
Sinto tudo que desejo que desapareça.
Entre uma reflexão e outra,
Meus desejos inconstantes
Tornam-se contestáveis.
"É coisa de geminiano", penso.
Mas outro dia
O senhor Pereira, por baixo do chapéu de palha
de abas mexicanas, me disse que não:
“É coisa de ser humano”.
Creio que não posso duvidar da sabedoria
Cravada no rosto e na idade de seu Pereira.
A conclusão que chego,
Sem epílogo nenhum:
Esses sentimentos não fazem sentido.
Todavia, me dê alguns minutos
E eu transformo essa tempestade em copo vazio.
Do turbilhão de pensamentos,
Dê-me uma distração meia boca
E eu calo os gritos do meu corpo.
O desaparecer de sentimentos não me parece eficaz.
A distração aparece
Depois, o sussurro: fica.
Tudo bem, um passo atrás.
A volta ao ciclo,
O sentimento empossado.
Outrora, penso,
“Não fosse isso, seria eu o quê,
Um objeto inanimado?"
Não posso mentir, não para mim,
Não vejo propósito...
Se o primordial é não sentir,
Como continuar?
Eu não nasci meramente para existir.
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