A jovem coleciona bonecas antigas
E desespera-se de hora em hora
Quando vem o barulho devastador
Da aeronave se aproximando
Para pousar na pista ao lado.
Neste momento
Resta torcer com afinco
Resta torcer com afinco
Para que as telhas singles fiquem intactas.
Parece loucura implorar a sorte todos os dias
Deitada no sofá da sala
E não rezar para que as bonecas de porcelana
Encontrem seu lugar no mundo,
Construam a sua sociedade de cerâmica,
Como há muito fez a civilização dos esquimós
Porque pertencem ao gelo
Não a um governo
A uma terra
A um natal.
A uma terra
A um natal.
Tem gente que pertence a qualquer chão
E gente que pertence ao horário da luz natural do Pacífico
E, portanto, torna-se raivoso, impaciente com a luz fria da Antártida.
Tem gente que não pisa na esquina de casa
E gente que pertence ao horário da luz natural do Pacífico
E, portanto, torna-se raivoso, impaciente com a luz fria da Antártida.
Tem gente que não pisa na esquina de casa
Porque o sol faz mal para a vista
Porque a violência tem boa pontaria
Porque o príncipe não voltou da guerra.
E a gente obriga as bonecas de porcelana
A pertencerem às escrivaninhas empoeiradas
À nós mesmas.
E então também
Pertencemos a elas.
E então também
Pertencemos a elas.
E passamos a não caminhar para longe
Porque estamos devotados, presos, paralisados demais.
À toda gente
Que possui bonecas de porcelana:
Ter medo delas é tão importante quanto ter medo de avião.
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