A inveja é feia
Eu sei
Ensinaram na semana passada
Na reunião sobre budismo
Na reunião sobre budismo
Na hipótese de que a ideia não venha pronta à cabeça
Antes mesmo de nascermos em sociedade inimiga.
Seu amigo é seu concorrente
Seu pai, seu irmão.
É importante frisar…
A competência joga-lhe em competição.
Cairia bem, como jargão do mundo:
“Conflito, disputa, luta!”.
“Conflito, disputa, luta!”.
Um ganha e perde sem fim...
A vitória é triunfo de um em suprimento do outro.
Mas saber e sentir são coisas bem diferentes.
A questão é que alguma coisa tem me pegado o peito
Mais o direito que o esquerdo
E o que isso significa, eu não sei...
O lado esquerdo do peito
É reservado para o amor, para os amigos.
Assim falou a canção da América.
Logo, no lado direito guarda-se o que é cruel...
Logo, no lado direito guarda-se o que é cruel...
A ganância, a cobiça, a inveja, a gastrite.
Numa consternação de agulhadas finas de injeção.
Quase todos os dias,
Desperto às cinco da manhã
Com o peso do mundo no rosto marcado
Fazendo roxos bem embaixo dos meus olhos,
Sendo que o lilás combina tão melhor
Com hortênsias e flores-de-lis.
Com hortênsias e flores-de-lis.
Eu olho para o relógio correndo sem parar
A trezentos por hora
Numa Ferrari nova
E a inveja do tempo,
Quando anda-se de carrinho de rolimã,
Bate em mim.
Quando anda-se de carrinho de rolimã,
Bate em mim.
Todo o mundo que dorme em sono profundo, às cinco da manhã,
Tem o tempo andando em carrinho de rolimã...
E tem o rosto menos cansado às dez
E tem o sonho continuado,
Todos os sonhos,
Até os que terminaram antes da hora.
São continuados para serem contados no almoço,
Para puxar assunto com namorado
Para despertar para a realidade
Para impelir a vontade de não acordar.
Para despertar para a realidade
Para impelir a vontade de não acordar.
É, a inveja do repouso alheio é feia, corrói e faz mal,
Mas é difícil não senti-la estando acordada.
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